Tecnécio-99: O material radioativo envolvido no incidente da USP que ajuda a diagnosticar câncer e doenças cardíacas
Em 29 de maio de 2026, um incidente envolvendo material radioativo foi registrado no Centro de Radiofarmácia do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP). O episódio, confirmado oficialmente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no dia 11 de junho, envolveu dois trabalhadores e a presença de traços de tecnécio-99 durante procedimentos de rotina em um equipamento de produção de radiofármacos. Este resumo esclarece a natureza do incidente e a relevância científica do material envolvido.
Ocorrência no centro de radiofarmácia do Ipen
- Dinâmica do incidente: A detecção de traços de tecnécio-99 ocorreu no momento da retirada de sensores biológicos de uma autoclave, equipamento utilizado na esterilização e produção de radiofármacos.
- Segurança dos trabalhadores: Os dois profissionais envolvidos (Classificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos) foram submetidos a exames de Contador de Corpo Inteiro. Os resultados indicaram níveis baixos de radiação e confirmaram que não houve contaminação interna dos colaboradores.
- Contenção da área: A contaminação manteve-se restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia, não oferecendo riscos externos ao campus da USP ou à população.
- Investigação e regulamentação: O relatório interno foi encaminhado à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O Ipen, que atende centenas de hospitais e clínicas em todo o Brasil, recebeu uma notificação para apresentar informações adicionais e medidas de controle até o dia 18 de junho de 2026, mantendo sua autorização de operação ativa.
Compreendendo o Tecnécio-99 e sua aplicação médica
- O que é o Tecnécio: Identificado pelo símbolo Tc na tabela periódica, é um metal radioativo de cor cinza-prateado. Embora exista em quantidades mínimas na natureza, a maior parte do tecnécio utilizado é produzida em laboratórios ou como subproduto de reatores nucleares.
- A versão de uso clínico (Tecnécio-99m): É fundamental diferenciar o isótopo comum de sua forma metaestável, conhecida como tecnécio-99m. Esta variante possui uma meia-vida curta, o que significa que se desintegra rapidamente, não permanecendo no organismo ou no meio ambiente por longos períodos.
- Papel essencial na saúde pública: O tecnécio-99m é o radioisótopo mais utilizado mundialmente na medicina nuclear. Ele atua como um marcador radioativo essencial para diagnósticos precisos por imagem e tratamentos oncológicos.
- Como funciona o diagnóstico: A substância é injetada no paciente e, ao circular pelo corpo, emite radiação que é captada por câmeras especiais. Esse processo permite que médicos visualizem o funcionamento de órgãos e identifiquem a presença de tumores ou outras patologias com alta precisão.
O incidente ocorrido no Ipen, embora exija rigorosa apuração por parte das autoridades competentes, não resultou em danos à saúde dos trabalhadores nem extrapolou os limites da área controlada. O evento serve como um lembrete da importância da segurança operacional em locais que lidam com materiais radioativos. O tecnécio-99m continua sendo um pilar insubstituível na medicina moderna, permitindo a realização de cerca de 2 milhões de procedimentos diagnósticos anuais no Brasil, sendo vital para o tratamento de milhares de pacientes oncológicos que dependem dessa tecnologia para a detecção precoce de doenças.
