Colômbia trabalha menos, ganha mais e mantém o emprego em alta: O que o Brasil pode aprender?
Enquanto o Brasil debate a redução da jornada de trabalho e o futuro da escala 6x1, a Colômbia está concluindo uma das maiores mudanças trabalhistas de sua história recente. A partir de julho de 2026, os trabalhadores colombianos passarão a ter uma jornada máxima de 42 horas semanais, sem redução salarial. O mais curioso é que a mudança ocorreu em meio a um cenário de desemprego historicamente baixo e crescimento do emprego formal.
Como a Colômbia reduziu a jornada de trabalho
- A reforma foi aprovada em 2021 e implementada gradualmente ao longo de cinco anos, reduzindo a carga semanal de 48 para 42 horas.
- Diferentemente das propostas discutidas no Brasil, a legislação colombiana não exige obrigatoriamente dois dias de folga por semana e permite acordos mais flexíveis entre empresas e trabalhadores.
Menos horas e salários maiores
Além da redução da jornada, reformas posteriores ampliaram benefícios trabalhistas, incluindo:
- Aumento significativo do salário mínimo.
- Expansão do período considerado trabalho noturno.
- Melhoria da remuneração para diversos trabalhadores.
Essas mudanças elevaram os custos trabalhistas para as empresas, mas também aumentaram o poder de compra dos empregados.
O Mercado de trabalho entrou em crise?
Até o momento, não.
- Especialistas destacam que o emprego formal continua crescendo e que a taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas. Algumas análises indicam que centenas de milhares de contratações ocorreram para compensar a redução das horas trabalhadas.
- No entanto, há divergências sobre os impactos econômicos de longo prazo.
Os desafios enfrentados pelas empresas
Nem tudo ocorreu sem dificuldades. Muitos empresários relatam:
- Redução dos horários de funcionamento.
- Maior investimento em automação.
- Aumento de custos operacionais.
- Revisão de planos de expansão e contratação.
Setores como comércio, hotelaria, restaurantes, bares e vigilância privada estão entre os mais afetados pelas mudanças.
O segredo da transição: Fazer aos poucos
- Um dos pontos mais elogiados por economistas foi a implementação gradual da reforma.
- Em vez de uma mudança brusca, empresas e trabalhadores tiveram vários anos para adaptar processos, escalas e investimentos. Essa transição lenta é apontada como um dos principais motivos para evitar impactos negativos mais severos no mercado de trabalho.
O exemplo do Chile reforça a tendência
- O Chile também está reduzindo sua jornada semanal para 40 horas de forma gradual.
- Além disso, estudos sobre reformas anteriores no país mostram que reduções moderadas da carga horária tiveram efeitos pequenos sobre o emprego, especialmente quando acompanhadas por períodos de adaptação e reorganização das empresas.
Uma tendência mundial em crescimento
- A discussão sobre trabalhar menos sem reduzir salários não está restrita à América do Sul. Diversos países da Europa e outras regiões vêm experimentando jornadas menores, impulsionadas por avanços tecnológicos, automação e mudanças na forma de trabalhar.
- O debate atual deixou de ser apenas sobre produtividade e passou a incluir qualidade de vida, saúde mental, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e sustentabilidade das relações profissionais.
A experiência da Colômbia mostra que reduzir a jornada de trabalho não significa necessariamente aumento do desemprego ou colapso econômico. Ao mesmo tempo, evidencia que mudanças desse porte exigem planejamento, adaptação gradual e flexibilidade para empresas e trabalhadores. O caso colombiano, somado ao exemplo chileno, reforça uma tendência global: o futuro do trabalho pode envolver menos horas trabalhadas, mas a forma como essa transição será conduzida é o que determinará seu sucesso ou fracasso.
