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domingo, 29 de junho de 2025 às 12:39 GMT+0

Raul Seixas: 8 curiosidades e fatos polêmicos sobre o ícone do rock nacional

No dia 28 de junho de 2025, Raul Seixas completaria 80 anos. Ícone do rock brasileiro, o "pai da Sociedade Alternativa" viveu uma vida intensa, marcada por música, polêmicas e excentricidades. Autor de clássicos como Metamorfose Ambulante e Ouro de Tolo, Raul morreu jovem, aos 44 anos, vítima do alcoolismo, mas deixou um legado que transcende gerações. Com base em fontes como a BBC News Brasil, acervos familiares e relatos de contemporâneos, reunimos oito curiosidades pouco conhecidas sobre esse gênio irreverente.

1. O segurança faixa preta e os surtos de paranoia

  • Nos anos 1970, Raul mergulhou no vício em cocaína, o que agravou seus surtos paranoides. Em uma visita de Caetano Veloso ao seu apartamento em Copacabana, o roqueiro recebeu o colega armado com dois revólveres, como um "cowboy fora da lei". O local era compartilhado com dois argentinos: Oscar Rasmussen (parceiro musical suspeito de trocar drogas por colaborações) e Hugo Amorrortu, faixa preta de caratê que virou seu segurança. Em 1979, Amorrortu foi assassinado no próprio apartamento após confrontar traficantes que o enganaram vendendo açúcar como cocaína.

2. O mito do encontro com John Lennon

  • Raul contou em entrevistas que passou quatro dias hospedado por John Lennon em Nova York, trocando ideias sobre a "Sociedade Alternativa". Na realidade, ele e Paulo Coelho apenas bateram papo com Yoko Ono na portaria do edifício Dakota, em 1974. A história foi ampliada pelo imaginário do cantor, que adorava uma boa provocação. Seis anos depois, Lennon seria assassinado no mesmo local.

3. A rivalidade com Belchior em versos e ironias

  • Raul criticava a música de protesto clichê em Eu Também Vou Reclamar (1976), com farpas diretas a Belchior. Trechos como "Agora sou apenas um latino-americano" zombavam de Apenas um Rapaz Latino-americano. Belchior revidou em Alucinação, desdenhando os "romances astrais" de Raul. A briga musical revelava duas visões opostas da arte: o pragmatismo de Belchior versus o misticismo anárquico de Raul.

4. A fase brega e a fome no Rio

  • Antes do sucesso, Raul passou fome no Rio nos anos 1960. Para sobreviver, compôs músicas românticas para artistas como Jerry Adriani (Doce, Doce Amor) e Diana (Ainda Queima a Esperança). Foi Você, feita para Roberto Carlos, quase garantiu sua aposentadoria precoce, mas o "rei" desistiu de gravar.

5. Caetano Veloso: O "inimigo íntimo"

  • A relação entre Caetano e Raul era de amor e ódio. Raul zoou o tropicalismo em Rock n Roll, chamando-o de "bosta nova pra universitário". Caetano revidou em Rock’n’Raul, ironizando a obsessão de Raul pela cultura americana. Apesar das cutucadas, Caetano admirava Ouro de Tolo e visitou Raul em momentos difíceis.

6. As esposas e parceiras musicais

  • Casado cinco vezes, Raul compôs com quase todas as esposas — um feito raro. Destaque para Kika Seixas, com quem criou Angela, uma de suas canções mais poéticas. Nenhuma delas era compositora antes de conhecê-lo, mas ele as incentivava a escrever.

7. A Cidade das Estrelas: O sonho que virou farsa

  • Raul e Paulo Coelho pregavam a "Sociedade Alternativa", um projeto utópico numa suposta Cidade das Estrelas, em Paraíba do Sul (RJ). Na prática, o terreno nunca existiu. A ideia rendeu perseguição da ditadura militar e desilusão aos seguidores que acreditaram no paraíso libertário.

8. O velório tumultuado e o "Morto Vivo"

  • O enterro de Raul, em 1989, foi um caos. Fãs invadiram a missa gritando "Viva a Sociedade Alternativa!" e tentaram tirar seu corpo do caixão para "levá-lo pra beber". Marcelo Nova impediu o ato, mas o vidro do caixão foi quebrado. O episódio mostrou como Raul virou lenda ainda em vida.

Raul Seixas foi muito mais que um roqueiro: foi um mito rebelde que misturou música, filosofia e escândalo. Sua vida curta e intensa refletiu-se em letras sarcásticas, projetos utópicos e uma personalidade irreverente que desafiou convenções. Aos 80 anos, sua figura permanece viva no imaginário brasileiro — prova de que, como ele mesmo cantou, "o sonho não acabou".

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