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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 às 12:12 GMT+0

China envelhece antes de enriquecer: Por que o "baby boom" fracassou e a natalidade despencou em 2026

A China enfrenta hoje um de seus maiores desafios históricos: uma crise demográfica que desafia as previsões mais pessimistas do próprio governo. Apesar de uma série de incentivos e da transição para políticas que permitem até três filhos, o país registrou em 2025 o menor índice de natalidade desde a fundação da República Popular em 1949.

O cenário atual sugere que o gigante asiático está em uma corrida contra o tempo para evitar que sua economia encolha junto com sua população.

O colapso dos números e as previsões furadas

As autoridades chinesas esperavam um "baby boom" após o fim da política do filho único, mas o que se viu foi um declínio constante e acentuado.

  • Recordes negativos: Em 2025, a taxa de natalidade caiu para 5,63 nascimentos por 1 mil habitantes. Para se ter uma ideia, foram apenas 7,92 milhões de nascimentos no ano passado, contra uma queda populacional total de 3,4 milhões de pessoas.
  • Erro de cálculo: Há duas décadas, o governo previa que o pico populacional ocorreria apenas em 2033. No entanto, o ápice chegou 12 anos antes do esperado, evidenciando que os especialistas subestimaram a velocidade das mudanças sociais.
  • Projeção drástica: Especialistas da ONU estimam que, se o ritmo atual persistir, a China poderá perder mais da metade de sua população até o fim deste século.

O legado social: Entre "galhos vazios" e "solteironas"

A herança da política do filho único (1979-2015) criou um desequilíbrio de gênero profundo que agora alimenta a crise de solteiros.

  • Homens "sobrando": A preferência cultural por filhos homens levou a milhões de abortos seletivos no passado. Hoje, o país possui dezenas de milhões de homens a mais do que mulheres. Eles são chamados pejorativamente de "galhos vazios", uma metáfora para árvores que não darão frutos.
  • As "shèngnǚ": Por outro lado, mulheres com alta escolaridade e carreiras consolidadas estão optando por casar mais tarde ou permanecer solteiras. O Estado tentou pressioná-las rotulando-as como "shèngnǚ" (mulheres que sobraram), mas a tática gerou resistência e afastamento.
  • A janela de fertilidade: Em 2023, 43% das mulheres entre 25 e 29 anos eram solteiras, o que reduz drasticamente a probabilidade de um aumento súbito na taxa de natalidade.

Por que os incentivos governamentais falharam?

O governo tentou usar o "bolso" para convencer os jovens, mas esqueceu que o custo de vida e a cultura de trabalho pesam muito mais.

  • A polêmica "taxa das camisinhas": Em uma medida desesperada e controversa, foi criado um imposto de 13% sobre contraceptivos (preservativos e pílulas) em 2026. A medida foi duramente criticada por ignorar riscos de saúde pública e gravidez indesejada, sem resolver a causa raiz do problema.
  • Incentivos insuficientes: Bônus anuais de cerca de US$ 500 por filho são vistos como irrelevantes diante dos custos exorbitantes de educação e moradia nas grandes metrópoles.
  • Cultura de trabalho exaustiva: Relatos de profissionais indicam que a "regra implícita" nas empresas é que a vida familiar não deve interferir na produtividade. Sem redes de apoio (como creches acessíveis) e com maridos ausentes devido ao trabalho, muitas mulheres consideram o segundo filho um fardo impossível de carregar.

O dilema chinês: Envelhecer antes de enriquecer

  • Diferente de países como Japão ou nações da Europa, que também enfrentam baixas taxas de natalidade, a China corre o risco de ver sua força de trabalho minguar antes de consolidar uma rede de proteção social robusta para idosos.
  • O esvaziamento da mão de obra pode gerar um efeito cascata global, aumentando custos de produção e afetando o consumo mundial. O grande desafio de Pequim agora não é apenas oferecer bônus ou taxar preservativos, mas reformular uma estrutura social que penaliza quem decide ter uma família.

Nota crítica: A tentativa de forçar o crescimento populacional via taxas sobre contraceptivos parece um retrocesso que foca no sintoma, não na doença. O jovem chinês atual prioriza estabilidade e qualidade de vida, valores que colidem com as pressões demográficas do Estado.

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