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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025 às 11:22 GMT+0

Sedentarismo e saúde mental: O que um novo estudo revela sobre o impacto das telas e da leitura excessiva nos adolescentes

Um estudo publicado no Journal of Adolescent Health analisou como atividades sedentárias impactam a saúde mental dos adolescentes. A pesquisa, com mais de 3.600 jovens, mostrou que o uso excessivo de telas para lazer e até a leitura prolongada podem aumentar o risco de sofrimento psicológico, enquanto o uso moderado de telas para estudo pode ser benéfico.

O que é um comportamento sedentário?

Comportamento sedentário se refere a qualquer atividade que envolva estar sentado ou deitado por longos períodos sem gasto energético significativo. No estudo, os pesquisadores dividiram esse comportamento em diferentes categorias:

1. Uso de telas para lazer (jogos, redes sociais, assistir vídeos).
2. Uso de telas para atividades educacionais (estudar, fazer dever de casa, assistir aulas).
3. Leitura por lazer.
4. Outras atividades de lazer sem tela.

Como o estudo foi feito?

Os pesquisadores do King’s College London analisaram dados de 3.675 adolescentes do Millennium Cohort Study, um grande estudo longitudinal que acompanha jovens nascidos entre 2000 e 2002.

  • Aos 14 anos, os adolescentes registraram suas atividades a cada dez minutos em um diário.
  • Aos 17 anos, eles responderam a um questionário que avaliava seu nível de sofrimento psicológico com base na escala de Kessler, que mede sintomas como ansiedade, depressão e sensação de inutilidade.

A partir dessas informações, os cientistas conseguiram identificar padrões entre os comportamentos sedentários e o sofrimento psicológico três anos depois.

Principais descobertas

Tempo excessivo em telas para lazer está ligado a maior sofrimento psicológico.

  • Adolescentes que passavam mais de três horas por dia em telas para lazer tiveram maior risco de desenvolver sofrimento psicológico aos 17 anos.
  • Videogames foram particularmente impactantes: a cada hora adicional, o risco aumentava em 3%.

Leitura em excesso também pode estar associada a problemas emocionais.

  • De forma inesperada, o estudo mostrou que adolescentes (especialmente meninos) que liam por lazer por mais de três horas por dia relataram maior sofrimento psicológico.
  • Uma possível explicação é que a leitura em excesso pode substituir interações sociais e atividades ao ar livre, contribuindo para o isolamento.
  • Além disso, ler em telas pode prejudicar o sono devido à exposição à luz azul.

Uso moderado de telas para estudo pode ser benéfico.

  • O estudo mostrou que adolescentes que usavam telas entre 60 e 119 minutos por dia para atividades educacionais apresentaram menos sofrimento psicológico.
  • Isso indica que não é o tempo de tela em si que prejudica a saúde mental, mas sim a forma como ela é usada.

O que fazer para reduzir os impactos negativos?

Diante desses achados, os pesquisadores sugerem algumas estratégias para minimizar os efeitos negativos do comportamento sedentário nos adolescentes:

1. Estabelecer limites para o tempo de tela de lazer, evitando ultrapassar três horas diárias.
2. Priorizar o uso de telas para atividades educacionais, incentivando um uso mais produtivo.
3. Equilibrar o tempo de lazer, incentivando interações sociais e atividades ao ar livre.
4. Personalizar as intervenções de acordo com o gênero e os hábitos individuais, já que meninos e meninas podem ter padrões de uso diferentes.
5. Não eliminar totalmente o tempo de tela, mas gerenciá-lo de forma mais saudável.

O impacto do comportamento sedentário na saúde mental dos adolescentes depende do contexto. O uso excessivo de telas para lazer e a leitura prolongada podem aumentar o sofrimento psicológico, enquanto o uso equilibrado de telas para estudo pode trazer benefícios. O desafio está em encontrar um meio-termo, promovendo hábitos saudáveis sem eliminar completamente a tecnologia do dia a dia dos jovens.

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