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quarta-feira, 15 de maio de 2024 às 11:22 GMT+0

'Capitalismo do desastre': Assim caminha a insustentabilidade - Raízes do desastre no Rio Grande do Sul

A transformação de Porto Alegre e do estado do Rio Grande do Sul (RS) em centros econômicos e agrícolas é resultado de um modelo desenvolvimentista insustentável, descrito por Naomi Klein como 'capitalismo do desastre'. Este modelo acelera a mudança climática e intensifica eventos meteorológicos extremos, levando a desastres socioambientais.

Importâncias e Relevâncias

  • Padrões Atmosféricos e Desastres: Um estudo publicado na revista Atmosphere destacou a relação entre sistemas frontais e desastres na Região Sul do Brasil, especialmente no RS. A análise mostrou que 64,1% dos desastres registrados foram hidrológicos.
  • Impacto da Urbanização: A urbanização insustentável, marcada por especulação imobiliária e desmatamento, agrava a vulnerabilidade ao clima extremo. Porto Alegre é um exemplo claro, onde a água da chuva não encontra onde escoar devido à má gestão urbana.
  • Desmatamento: Entre 2016 e 2019, o desmatamento ilegal no RS cresceu 187%, intensificando os riscos de desastres ambientais.

Dados sobre Desastres e Exposição

O estudo mapeou as áreas mais expostas no RS entre 2016 e 2020, destacando o litoral de Santa Catarina e a região Centro-Leste do RS como as mais afetadas. Isso evidencia a necessidade urgente de políticas públicas sustentáveis.

Urbanização Insustentável

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre visa a sustentabilidade, mas na prática, o desenvolvimento urbano tem sido insustentável, com aumento de construções sem controle, especulação imobiliária, e destruição ambiental.

Predadores da Cidade

Grupos econômicos e políticos utilizam crises e desastres para se apropriar de áreas urbanas valiosas. Este processo, conhecido como 'capitalismo do desastre', foi observado em desastres no Chile (2010) e na Região Serrana do Rio de Janeiro (2011).

Ações urgentes:

  • Transparência na Reconstrução: Necessidade de visibilidade e debate público sobre os processos de reconstrução para evitar a reprodução das mesmas lógicas insustentáveis.
  • Modelo de Crescimento Econômico: O modelo que causou o desastre deve ser reavaliado e modificado.
  • Responsabilização: As verdadeiras causas dos desastres devem ser reconhecidas e abordadas, não apenas culpando fatores naturais como a chuva.

A insustentabilidade é resultado de decisões políticas e econômicas que ignoram a sustentabilidade ambiental e social. A reconstrução deve ser guiada por novos paradigmas que priorizem a vida e o equilíbrio ambiental, para que o RS e Porto Alegre possam desenvolver-se de forma mais justa e sustentável.

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