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segunda-feira, 9 de março de 2026 às 11:12 GMT+0

Mães solo: O retrato da desigualdade no mercado de trabalho brasileiro - Por que elas ganham até 40% menos que pais casados?

O Brasil vive uma mudança profunda na estrutura familiar. As mulheres já são maioria na chefia dos lares, e dentro desse cenário se destaca o crescimento das mães solo, mulheres que criam seus filhos sem parceiro. Hoje são quase 11 milhões de brasileiras nessa condição. Pesquisas indicam que, além de assumirem sozinhas a responsabilidade familiar, elas enfrentam salários menores, empregos mais precários e jornadas de cuidado intensas.

Estudo da pesquisadora Mariene Ramos, baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revela como essa realidade impacta o mercado de trabalho e expõe desigualdades estruturais.

Uma nova realidade familiar no país

  • As mulheres passaram a chefiar 52% dos lares brasileiros.
  • Nos lares com apenas um adulto responsável pelos filhos, 92% são liderados por mulheres.
  • Em 2022, havia 10,9 milhões de mães solo responsáveis por domicílios.

Esse crescimento mostra que as mães solo deixaram de ser exceção e se tornaram parte central da realidade social brasileira.

Renda menor e trabalho mais instável

A pesquisa mostra que as mães solo enfrentam forte desvantagem econômica.

  • Renda média de R$ 2.322, cerca de 40% menor que a de pais com cônjuge.
  • Menor taxa de emprego e baixa contribuição previdenciária.
  • Forte concentração em setores de baixos salários, como o trabalho doméstico.

Isso aumenta a vulnerabilidade econômica tanto no presente quanto no futuro.

Desigualdade social e sobrecarga de cuidados

Alguns fatores ampliam essas dificuldades:

  • Mais de 55% não concluíram o ensino médio.
  • Apenas 13,7% têm ensino superior.
  • 62% das mães solo são negras, refletindo desigualdades raciais.
  • 33,5% vivem com idosos, acumulando cuidado com filhos e familiares.

Na prática, muitas vivem uma dupla ou tripla jornada, combinando trabalho, cuidados domésticos e responsabilidades familiares.

O papel das políticas públicas

Devido à dificuldade de obter renda suficiente, 57% das mães solo recebem algum benefício social. Para mudar esse cenário, especialistas defendem:

  • Ampliação de creches em tempo integral.
  • Qualificação profissional para acesso a empregos melhores.
  • Maior reconhecimento do trabalho de cuidado.

Sem essas políticas, muitas mulheres ficam presas a empregos precários ou fora do mercado.

O caminho para a autonomia

O crescimento das mães solo revela uma transformação estrutural no Brasil. No entanto, o mercado de trabalho e as políticas públicas ainda não se adaptaram a essa realidade. Reduzir as barreiras enfrentadas por essas mulheres não é apenas uma questão social: é essencial para diminuir desigualdades e melhorar as oportunidades da próxima geração.

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