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domingo, 30 de março de 2025 às 10:26 GMT+0

Novo perfil de adolescentes infratores: Como a pandemia e o uso da tecnologia estão mudando a criminalidade juvenil no Brasil

Nos últimos cinco anos, o perfil de adolescentes em conflito com a lei no Brasil sofreu uma transformação significativa. A juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, destacou essa mudança em entrevista à CNN, relacionando-a ao uso excessivo da tecnologia e aos impactos da pandemia de Covid-19. Esse novo cenário inclui jovens de classes média e alta, com famílias estruturadas e acesso a educação de qualidade, um contraste marcante em relação ao perfil historicamente associado à criminalidade juvenil.

O impacto da pandemia e da tecnologia

A pandemia acelerou a exposição de adolescentes às telas, seja por aulas online, redes sociais ou jogos. Segundo a juíza, o isolamento social intensificou o contato com ambientes virtuais sem a devida supervisão adulta, criando um terreno fértil para comportamentos de risco. Ela afirma: "Passou a chegar outro tipo de adolescente que nunca frequentou o judiciário", indicando que a tecnologia atuou como um catalisador para o envolvimento em atos infracionais.

Características do novo perfil

Diferentemente do estereótipo tradicional, esses adolescentes vêm de famílias com condições financeiras estáveis, frequentam boas escolas e não enfrentam privações materiais. A juíza, que já atuou em cidades pobres (como Nilópolis) e ricas (como Nova Friburgo), observou que a ausência de monitoramento parental é um fator comum.

"Quase na totalidade das vezes, esse envolvimento tem um componente de uso da tecnologia sem supervisão"

Fatores de risco e possíveis soluções

A falta de limites no acesso à internet e a exposição precoce a conteúdos inadequados são apontados como principais riscos. Vanessa Cavalieri sugere medidas como:

1. Uso de aplicativos de controle parental para monitorar atividades online.

2. Limitação do tempo de tela conforme a idade, reduzindo a exposição a influências negativas.

Essas ações poderiam prevenir o desvio de conduta, especialmente em adolescentes sem histórico de vulnerabilidade social.

Relevância do tema

  • Mudança social: O fenômeno reflete como a tecnologia redefine dinâmicas familiares e comportamentos.

  • Desafio jurídico: Exige adaptação do sistema de Justiça para lidar com casos que fogem do padrão tradicional.

  • Prevenção: Alertar pais e educadores sobre os riscos da superexposição digital é crucial para evitar a criminalização precoce.

A análise da juíza Vanessa Cavalieri revela um cenário complexo, em que fatores tecnológicos e sociais se entrelaçam para moldar um novo tipo de adolescente infrator. Se, por um lado, a pandemia exacerbou vulnerabilidades invisíveis, por outro, destacou a necessidade de maior acompanhamento familiar no ambiente digital. A discussão serve como um alerta para a sociedade repensar o equilíbrio entre liberdade e orientação na era digital, evitando que jovens de qualquer classe social sejam tragados por rotas criminais evitáveis.

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