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sábado, 9 de agosto de 2025 às 10:50 GMT+0

O que é a "machosfera" e por que ela é perigosa? Da solidão ao extremismo - Indústria do ódio contra mulheres e seus lucros

A machosfera é um conjunto de comunidades online que promovem ideias misóginas, ensinando homens a dominar mulheres e difundindo discursos de ódio. O jornalista britânico James Bloodworth investigou esse universo em seu livro Lost Boys: A Personal Journey Through the Manosphere, revelando como jovens são radicalizados por meio de algoritmos e golpes financeiros.

Como os jovens são atraídos para a machosfera?

  • Inseguranças exploradas: Muitos homens entram nesse mundo por sentir-se rejeitados, inseguros ou solitários. A machosfera oferece falsas soluções, culpando as mulheres por seus problemas.
  • Algoritmos das redes sociais: Estudos mostram que, em poucas horas, um jovem que assiste a um vídeo misógino é inundado por conteúdo cada vez mais extremista. Influenciadores como Andrew Tate e Jordan Peterson são porta de entrada para essa radicalização.
  • Exemplo na cultura: A série Adolescência (Netflix) retrata como um jovem é levado ao extremismo misógino, refletindo um fenômeno real.

Os golpes financeiros por trás da machosfera

Cursos caros e falsas promessas: Homens pagam até US$ 10 mil por mentores que ensinam a ser "machos alfas", mas na verdade vendem ilusões. Alguns alugam carros de luxo e mansões para fotos, criando a falsa imagem de sucesso.

Táticas de manipulação:

  • Regra 80/20: Espalham a ideia de que apenas 20% dos homens atraem 80% das mulheres, gerando medo e desespero nos jovens.
  • Ilusão de riqueza: Mostram uma vida luxuosa inalcançável para convencê-los a comprar cursos.
  • Semelhança com outros golpes: Funciona como esquemas de pirâmide, apostas ilegais e fraudes românticas, mas com o agravante de espalhar ódio contra mulheres.

Quem são as vítimas desses golpes?

  • Adolescentes vulneráveis: Garotos de 13 anos podem ser radicalizados rapidamente, como no caso de um jovem que começou com vídeos de esportes e foi levado a conteúdo misógino.
  • Homens em crise: Divorciados, solitários ou com baixa autoestima são alvos fáceis.
  • Pessoas de todas as classes: Desde jovens pobres até empresários ricos, todos podem cair nessa rede.

Como a machosfera se infiltra no mainstream?

  • Normalização de ideias tóxicas: Pesquisas mostram que 53% dos jovens britânicos acreditam na "regra 80/20", e muitos veem Andrew Tate de forma positiva.
  • Influência em políticas: Alguns grupos ligam a machosfera a movimentos políticos, como o MAGA (EUA) e discursos antifeministas na Europa.
  • Falta de fronteiras claras: Muitas ideias da machosfera já são repetidas por figuras públicas, dificultando o combate.

O papel das redes sociais e das big techs

  • YouTube e algoritmos: Recomendam conteúdo cada vez mais extremo, mesmo após banimentos.
  • X (antigo Twitter): Com Elon Musk, muitos influenciadores banidos voltaram, espalhando ódio livremente.
  • Falha na moderação: Plataformas alternativas, como Rumble, abrigam discursos misóginos sem controle.

Existem alternativas saudáveis?

Alguns especialistas promovem uma masculinidade positiva, como:

  • Richard Reeves (autor de Of Boys and Men).
  • Graham Golden (policial britânico que fala sobre masculinidade saudável).
  • Scott Galloway (acadêmico que discute questões masculinas sem ódio).
  • Porém, esse conteúdo não viraliza como o dos golpistas, pois não explora emoções negativas.

Como se proteger dessa influência?

  • Para homens: Reconhecer que muitos "gurus" são golpistas e buscar ajuda psicológica em vez de soluções rápidas.
  • Para mulheres: Identificar comportamentos controladores em parceiros, que podem ser sinais de radicalização.
  • Para pais e educadores: Monitorar o consumo de conteúdo online por jovens e promover debates sobre igualdade de gênero.

Um problema crescente que exige ação

A machosfera não é apenas um fenômeno marginal, mas uma ameaça real que se infiltra na sociedade, normalizando o ódio e explorando vulnerabilidades. Combater esse problema exige:
1. Maior regulação das redes sociais.
2. Educação midiática para jovens.
3. Apoio emocional para homens, evitando que caiam em golpes.

Enquanto figuras como Andrew Tate lucram com a desesperança, a solução está em promover masculinidades saudáveis e relações baseadas no respeito, não no controle.

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