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quarta-feira, 4 de junho de 2025 às 10:43 GMT+0

Guerra comercial? EUA dobram tarifa de aço: Brasil é o 2º mais afetado - Entenda o impacto

Entraram em vigor nesta quarta-feira, 4 de junho de 2025, as novas tarifas de 50% sobre as importações de aço e alumínio pelos Estados Unidos. A decisão foi assinada pelo presidente Donald Trump na véspera, dobrando a alíquota anterior de 25%, vigente desde fevereiro. A medida tem impacto direto sobre o Brasil, que atualmente é o segundo maior fornecedor desses produtos ao mercado norte-americano.

Importância do Brasil no fornecimento de aço aos EUA

  • O Brasil nunca teve uma participação tão significativa no mercado americano de aço e ferro quanto em 2024. Segundo dados do Comex Stat, os EUA foram destino de quase metade (47,9%) de todas as exportações brasileiras desse grupo, movimentando US$ 4,677 bilhões — cerca de R$ 27 bilhões. Isso representa 14,9% do total importado pelos EUA nesse setor, ficando atrás apenas do Canadá (24,2%).

  • Produtos semimanufaturados de ferro e aço, incluídos no chamado “código 72” do sistema harmonizado de mercadorias, são os principais itens exportados. Eles abrangem desde ferro fundido bruto até chapas e vergalhões, e formam a base da indústria siderúrgica brasileira voltada para exportação.

Relevância econômica das novas tarifas

As tarifas de 50% afetam um mercado gigantesco. Apenas em 2024, os EUA importaram mais de US$ 100 bilhões em aço, alumínio e suas partes. Os impactos principais para o Brasil se concentram nas seguintes áreas:

  • Aço e ferro (matéria-prima): US$ 4,677 bilhões exportados pelo Brasil.
  • Partes de aço e ferro: Brasil teve participação modesta (US$ 306 milhões).
  • Alumínio e derivados: Brasil vendeu cerca de US$ 272 milhões, o que corresponde a apenas 1% das importações americanas nesse setor.

Embora o Brasil tenha peso menor em alumínio e partes manufaturadas, a tarifa afeta duramente o coração da indústria siderúrgica nacional, com possível impacto em empregos, investimentos e balança comercial.

Motivações e declarações do governo Trump

  • Segundo o presidente Trump, a medida visa “proteger ainda mais a indústria siderúrgica dos Estados Unidos” e impedir que qualquer país consiga “contornar a tarifa”. Em suas redes sociais, ele classificou a decisão como uma “grande notícia para os trabalhadores do setor” e reiterou o lema de sua campanha:

“Façam a América grande novamente”.

  • Um detalhe relevante é que o Reino Unido foi isento da tarifa após a assinatura de um acordo comercial específico com os EUA, demonstrando que a decisão tem também viés geopolítico e estratégico.

Reações do governo brasileiro

  • O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, já havia declarado em março que as tarifas anteriores de 25% eram “equivocadas”, mas reforçou o compromisso com o diálogo e a busca por soluções diplomáticas. Alckmin defende que a melhor estratégia no comércio exterior é o modelo “ganha-ganha”, e que retaliações não são o caminho.

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, também reiterou a importância do diálogo, mas não descartou ações de reciprocidade ou mesmo uma eventual contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC), caso as negociações não avancem.

Possíveis consequências para o Brasil e o comércio global

A adoção de tarifas tão elevadas pode gerar diversos efeitos colaterais, entre eles:

  • Redução nas exportações brasileiras de aço e ferro.
  • Pressão sobre o setor industrial e possível desemprego.
  • Desaceleração de investimentos no setor siderúrgico.
  • Tensões comerciais entre Brasil e EUA, especialmente se o Brasil optar por medidas de retaliação.
  • Reforço ao protecionismo econômico dos EUA, com possíveis impactos em outros países exportadores.

Além disso, a medida foi anunciada no mesmo período em que os EUA enfrentam queda nas encomendas da indústria e em meio a incertezas sobre os rumos da política monetária, o que torna o cenário ainda mais delicado.

Repercussões

  • A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre importações de aço e alumínio é uma decisão com peso estratégico, político e econômico. O Brasil, segundo maior fornecedor desse setor para os americanos, é diretamente afetado e enfrenta um cenário de incertezas sobre sua capacidade de manter o atual nível de exportações. Enquanto o governo brasileiro aposta no diálogo, cresce a expectativa de ações mais firmes, inclusive na OMC, caso o impacto sobre a economia nacional se amplie.

O episódio ressalta como mudanças unilaterais na política comercial de grandes potências podem gerar repercussões significativas em economias interdependentes, e como o equilíbrio entre defesa de interesses nacionais e diplomacia continua sendo um desafio fundamental nas relações internacionais contemporâneas.

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