Conteúdo verificado
domingo, 8 de fevereiro de 2026 às 12:18 GMT+0

Por que "O Morro dos Ventos Uivantes" virou o filme mais polêmico de 2026 antes mesmo da estreia? Entenda a polêmica que dividiu a internet

Em geral, o rótulo de “filme mais controverso do ano” costuma recair sobre thrillers políticos incendiários ou produções de terror dispostas a romper tabus. Em 2026, porém, o centro das atenções é uma adaptação de um romance publicado no século 19. A nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell, chega aos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro cercada por críticas, debates acalorados e uma curiosidade quase febril. Antes mesmo da estreia, o filme já divide opiniões e provoca reações intensas em sua maioria negativas entre críticos e fãs da obra de Emily Brontë.

Uma diretora conhecida por provocar

  • Desde o anúncio de que Emerald Fennell adaptaria o clássico vitoriano, a reação foi imediata: A cineasta, vencedora do Oscar de roteiro por Bela Vingança e diretora do polêmico Saltburn, construiu sua carreira com obras marcadas por exagero estético, sátira mordaz e sexualidade explícita. Para muitos comentaristas, esse estilo parecia incompatível com a densidade emocional e o tom sombrio do romance de Brontë.
  • Cinco meses antes da estreia, críticas já classificavam o projeto como um exercício de vaidade artística: O ceticismo não se limitava à qualidade do filme, mas ao temor de que a diretora reduzisse um clássico literário a um espetáculo visual provocativo, esvaziado de nuance.

Elenco, idade e representação: O primeiro foco de tensão

  • A confirmação de Margot Robbie e Jacob Elordi nos papéis de Cathy e Heathcliff intensificou a controvérsia: No romance, grande parte da história acompanha os personagens ainda adolescentes, enquanto os atores têm 35 e 28 anos, respectivamente. A escolha foi vista como um distanciamento significativo do texto original.
  • A caracterização também gerou desconforto: Robbie manteve a imagem loira e polida associada a seus papéis recentes, distante da Cathy descrita por Brontë. Já a escalação de Elordi reacendeu um debate antigo: Heathcliff é descrito no livro como alguém de pele escura, possivelmente não branco, condição que ajuda a explicar seu isolamento e a violência que sofre. Para parte do público, a escolha do ator representaria um apagamento desse aspecto central da obra.
  • Defensores do filme lembram que adaptações anteriores também tomaram liberdades semelhantes: Ainda assim, o contexto cultural mudou: hoje, o público demonstra maior sensibilidade a questões de representatividade e fidelidade simbólica.

Um retrocesso em relação a adaptações recentes

  • As comparações com versões anteriores não ajudaram Fennell: A adaptação de 2011, dirigida por Andrea Arnold, escalou o ator negro James Howson como Heathcliff e uma atriz jovem para Cathy, decisões vistas por muitos como mais alinhadas ao espírito do romance. Diante disso, o novo filme passou a ser encarado como um retorno a escolhas semelhantes às do longa de 1939, frequentemente criticado por suavizar conflitos e personagens.

Testes de exibição e um trailer incendiário

Anacronismo como escolha estética ou erro?

  • Além do tom sexualizado, o filme foi acusado de romper com a ambientação histórica: O uso de música pop contemporânea e figurinos considerados deslocados no tempo, como um vestido de noiva associado à estética dos anos 1980, alimentou a percepção de que a diretora priorizou impacto visual em detrimento da coerência histórica.
  • Trechos divulgados recentemente: Renderam ironias nas redes sociais, com comentários sobre dentes excessivamente perfeitos e comportamentos que soariam modernos demais para o início do século 19.

Por que isso incomoda tanto?

A pergunta central permanece: por que tamanha irritação? Afinal, o cinema está repleto de releituras livres de clássicos, de Jane Austen a Shakespeare. A resposta passa por dois fatores principais.

  • O primeiro é a relação de Emerald Fennell com o universo aristocrático: Filha de uma família privilegiada, ela foi frequentemente acusada de retratar a elite com complacência. Em Saltburn, essa proximidade foi vista por críticos como um obstáculo à crítica social mais contundente. Muitos temem que o mesmo aconteça agora, suavizando as tensões de classe que atravessam O Morro dos Ventos Uivantes.
  • O segundo fator é ainda mais poderoso: A devoção dos leitores. Para muitos, o romance de Emily Brontë não é apenas um livro marcante da adolescência, mas um elemento formador de identidade. Qualquer desvio do texto original é sentido como uma afronta pessoal.

Amor obsessivo por um clássico intocável

  • A intensidade da reação revela o lugar singular que O Morro dos Ventos Uivantes ocupa no imaginário coletivo: Leitores apaixonados projetam suas próprias experiências emocionais na obra, o que torna quase impossível aceitar mudanças sem resistência.
  • Curiosamente, a própria Fennell se declara uma fã obsessiva do romance desde a juventude: Em eventos recentes, afirmou que ficaria furiosa se outra pessoa adaptasse o livro. Essa devoção, paradoxalmente, não a impediu de assumir riscos que desafiam expectativas.

Entre a rejeição e a curiosidade

  • Apesar da avalanche de críticas, as primeiras reações após exibições antecipadas foram surpreendentemente positivas em alguns círculos, chegando a classificar o filme como um novo clássico. Até críticos inicialmente céticos passaram a relativizar a importância da fidelidade absoluta ao texto.
  • A controvérsia, longe de prejudicar o filme, ampliou sua visibilidade. Cada novo detalhe divulgado reacende o debate e alimenta a expectativa.

O Morro dos Ventos Uivantes, na versão de Emerald Fennell, tornou-se controverso não apenas por suas escolhas estéticas ou de elenco, mas porque toca em algo mais profundo: a relação emocional e quase sagrada que muitos mantêm com o romance de Emily Brontë. Ao desafiar essa devoção, o filme provoca rejeição e fascínio em igual medida. Resta saber se, quando as luzes do cinema se apagarem, a obra confirmará os piores temores de seus críticos — ou se transformará a polêmica em consagração. Uma coisa é certa: dificilmente passará despercebida.

Estão lendo agora

"F1: O Filme" é baseado em história real? Descubra as inspirações reais por trás do drama das pistas"F1: O Filme", já em cartaz nos cinemas brasileiros, narra a história fictícia de Sonny Hayes, um piloto veterano que re...
Alerta do INSS: Golpistas se passam por funcionários para roubar dados de aposentadosRecentemente, temos visto uma onda de golpes em que criminosos se disfarçam de funcionários do Instituto Nacional do Seg...
O 'cavalo de tróia' da ciência: Como o 'DNA falso' criou um quimioterápico 20 mil vezes mais potente e não tóxico - NanomedicinaA quimioterapia é vital no combate ao câncer, mas carrega um custo alto: a toxicidade. Medicamentos tradicionais atacam ...
7 Lançamentos na Netflix esta semana (26/05): Filmes, séries e evento exclusivoA Netflix está trazendo uma seleção diversificada de lançamentos nesta semana, garantindo entretenimento para todos os g...
Como nosso corpo sabe quando temos que fazer xixi? Os danos em não atender o alerta e prender a urinaVocê já se perguntou como nosso corpo sabe quando é hora de fazer xixi? A resposta vai além do simples ato de ingerir lí...
Como identificar se você está com Gripe, COVID, VSR, Resfriado ou outra doença respiratóriaQuando você começa a sentir sintomas como dor de garganta, nariz congestionado, febre e cansaço, pode ser difícil distin...
Dicas de 30 filmes policiais imperdíveis: Suspense, mistérios e ações que vão prender você do início ao fimOs filmes policiais são conhecidos por seu talento em manter o espectador na ponta da cadeira, explorando investigações ...
Técnica do "mewing": Beleza ou risco? Especialista alerta sobre o perigo da moda do TikTokO mewing tornou-se um fenômeno viral no TikTok, prometendo definir a mandíbula, eliminar papadas e até alinhar os dentes...
Náufrago: A verdadeira história por trás do flme de sobrevivência com Tom Hanks – Fatos reais que inspiraram o clássicoO filme Náufrago, lançado em 2000, tornou-se um clássico do cinema de sobrevivência, protagonizado por Tom Hanks e dirig...
Os 10 mandamentos do crime: O código de conduta que rege as favelas do Comando Vermelho e que não mudam após a megaoperação do estadoO Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do Brasil, impõe um regime de regras estritas e punições sev...
Sedentarismo e saúde mental: O que um novo estudo revela sobre o impacto das telas e da leitura excessiva nos adolescentesUm estudo publicado no Journal of Adolescent Health analisou como atividades sedentárias impactam a saúde mental dos ado...