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quarta-feira, 10 de junho de 2026 às 09:48 GMT+0

O que é "cuckooing"? A nova face do tráfico - Como criminosos estão tomando casas de pessoas vulneráveis

Um problema crescente no Reino Unido tem chamado a atenção das autoridades: o cuckooing, prática em que criminosos ocupam a residência de pessoas vulneráveis para utilizá-la em atividades ilegais, principalmente relacionadas ao tráfico de drogas. O fenômeno recebe esse nome em referência ao cuco, ave conhecida por ocupar ninhos de outras espécies. Embora ainda pouco conhecido pelo público, o problema já afeta milhares de pessoas e tem levado vítimas a se sentirem prisioneiras dentro da própria casa.

O que é o Cuckooing?

O cuckooing ocorre quando criminosos se aproveitam da vulnerabilidade de uma pessoa para assumir o controle parcial ou total de sua residência.

As principais vítimas costumam ser:

  • Idosos.
  • Pessoas com deficiência física ou mental.
  • Dependentes químicos.
  • Pessoas socialmente isoladas.
  • Indivíduos em situação de fragilidade econômica ou emocional.

Como os criminosos agem

Os exploradores geralmente se aproximam de forma amigável, conquistando a confiança da vítima antes de assumir o controle do imóvel.

Após a ocupação, podem:

  • Armazenar drogas e produtos ilícitos.
  • Utilizar o imóvel como ponto de venda de drogas.
  • Roubar pertences da vítima.
  • Restringir a circulação dentro da própria residência.
  • Praticar intimidação, ameaças e chantagens.

Histórias de exploração e abuso

Os relatos das vítimas revelam situações extremamente graves.

  • Algumas pessoas tiveram seus bens roubados gradualmente, enquanto outras foram impedidas de utilizar cômodos da própria casa. Em casos extremos, vítimas sofreram humilhações, agressões físicas e psicológicas, além de ameaças constantes para evitar denúncias às autoridades.
  • Muitas descrevem a experiência como viver encarceradas dentro do próprio lar.

A ligação com o tráfico de drogas

  • O cuckooing está frequentemente associado às chamadas county lines, redes criminosas que transportam drogas de grandes centros urbanos para cidades menores e áreas rurais.
  • Para operar sem levantar suspeitas, traficantes procuram imóveis de pessoas vulneráveis, transformando essas residências em bases para distribuição de drogas.

Crescimento dos casos

Dados divulgados pela polícia britânica demonstram um aumento significativo dos registros.

  • Entre maio de 2025 e abril de 2026, foram registrados mais de 1.500 casos apenas em Londres. Autoridades acreditam que o número real seja muito maior, já que muitos episódios não são denunciados ou sequer identificados.
  • Especialistas destacam ainda a existência de vítimas recorrentes, que acabam sendo exploradas novamente mesmo após mudanças de endereço ou intervenções policiais.

Mudanças na Legislação

Até recentemente, o cuckooing não era considerado um crime específico no Reino Unido.

  • Isso está mudando com a aprovação da Lei de Crime e Policiamento de 2026, que pretende tipificar oficialmente a prática e prevê penas de até cinco anos de prisão para os responsáveis. A expectativa é facilitar investigações, ampliar a proteção às vítimas e aumentar a responsabilização dos criminosos.

Desafios para autoridades e vítimas

Apesar dos avanços, especialistas apontam dificuldades importantes:

  • Muitas vítimas têm medo de denunciar.
  • Alguns casos passam despercebidos pelas autoridades.
  • Pessoas vulneráveis nem sempre são reconhecidas como vítimas.
  • Ainda faltam políticas públicas e orientações específicas para identificar e combater o problema.

Além disso, a falta de confiança de algumas vítimas nos órgãos de segurança continua sendo um obstáculo para o enfrentamento do crime.

O cuckooing é uma forma de exploração silenciosa que transforma residências em instrumentos do crime organizado e deixa vítimas vulneráveis sob constante intimidação. O crescimento dos casos no Reino Unido evidenciou a necessidade de legislação específica, maior conscientização e mecanismos de proteção mais eficazes. Embora avanços estejam em andamento, especialistas alertam que ainda há um longo caminho para garantir que vítimas sejam identificadas, protegidas e amparadas antes que a exploração se torne permanente.

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