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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 às 10:36 GMT+0

A morte do desejo sexual: Por que a libido está desaparecendo em 2026? O lado obscuro das clínicas de testosterona

A diminuição do desejo sexual deixou de ser um tema restrito à intimidade dos casais e se transformou em um debate público sobre saúde, envelhecimento e mercado. No Reino Unido, dados da NHS Business Services Authority mostram que as prescrições de testosterona cresceram 135% entre 2021 e 2024. Ao mesmo tempo, pesquisas como a National Survey of Sexual Attitudes and Lifestyles (Natsal) indicam que a frequência sexual vem caindo nas últimas décadas.

Diante desse cenário, a terapia de reposição de testosterona (TRT) passou a ser vista por muitos como uma possível resposta para a perda de libido. Mas até que ponto o hormônio é solução médica legítima e quando se transforma em produto impulsionado por marketing?

A libido em queda: Um fenômeno social

Estudos mostram que a frequência sexual média no Reino Unido caiu desde os anos 1990. Pesquisadores apontam que:

  • Há menos casais vivendo juntos do que no passado.
  • O estresse, a depressão e a solidão aumentaram.
  • A hiperconectividade e o excesso de tecnologia afetam o descanso e a intimidade.
  • Problemas metabólicos como obesidade e diabetes tipo 2 estão mais comuns.

Especialistas como o urologista Geoffrey Hackett defendem que parte da queda da libido pode estar ligada à redução gradual dos níveis de testosterona nos homens, fenômeno observado em diversos estudos nas últimas décadas.

Ainda assim, os pesquisadores reforçam: não existe uma única causa para a redução do desejo sexual. Trata-se de um fenômeno multifatorial.

O que é considerado testosterona baixa?

Nos homens, a testosterona começa a diminuir cerca de 1% ao ano após os 30 ou 40 anos. Porém:

  • Diretrizes da Sociedade Britânica de Medicina Sexual sugerem considerar TRT para níveis abaixo de 12 nmol/L.
  • Algumas diretrizes do NHS indicam deficiência mais clara abaixo de 6 a 8 nmol/L.
  • Nem todo homem com testosterona baixa apresenta baixa libido.
  • Nem toda baixa libido é causada por testosterona baixa.

Nas mulheres, a situação é ainda mais complexa:

  • A testosterona também é produzida em pequenas quantidades.
  • Pode ser prescrita para transtorno do desejo sexual hipoativo.
  • Não há formulações oficialmente licenciadas específicas para mulheres no NHS.
  • O uso costuma ser feito “fora da bula”.

Relatos de quem usou: Transformação ou excesso?

Alguns pacientes relatam efeitos marcantes:

  • Aumento da energia.
  • Melhora do humor.
  • Retorno do desejo sexual.
  • Sensação de “voltar aos 20 anos”.

Outros, porém, relatam efeitos indesejados:

Em mulheres:

  • Crescimento excessivo de pelos.
  • Acne.
  • Ganho de peso.
  • Em casos raros, engrossamento da voz.

Em homens:

  • Alterações de humor.
  • Ereções prolongadas e dolorosas.
  • Redução da produção de espermatozoides.
  • Possível impacto na fertilidade.

Alguns pacientes também relatam aumento de irritabilidade ou libido exacerbada, levando ao abandono do tratamento.

O papel das clínicas privadas e o marketing agressivo

  • Campanhas publicitárias em redes sociais, estações de metrô e pontos de ônibus promovem testes de testosterona como solução para cansaço, irritação e falta de desejo.
  • A consultora em saúde sexual Paula Briggs alerta que o tratamento pode estar sendo superpromovido, transformando-se em um mercado lucrativo. Segundo ela, muitas pessoas procuram o hormônio influenciadas por relatos nas redes sociais, mas nem sempre apresentam indicação clínica real.
  • Já clínicas privadas defendem que estão suprindo uma lacuna deixada pelo sistema público, oferecendo atendimento a pacientes que se sentem ignorados.
  • O clínico geral Ben Davis ressalta que a baixa libido raramente tem uma única causa e que fatores emocionais, relacionais e psicológicos precisam ser avaliados antes da prescrição hormonal.

Testosterona não é “bala de prata”

Especialistas concordam em um ponto fundamental: a TRT pode ser transformadora para algumas pessoas mas não é solução mágica.

Baixa libido pode estar relacionada a:

  • Problemas no relacionamento.
  • Autoimagem e autoestima.
  • Rotina estressante.
  • Falta de sono.
  • Depressão ou ansiedade.
  • Mudanças naturais do envelhecimento.

Sem mudanças no estilo de vida, a testosterona isoladamente pode ter impacto limitado.

Testosterona não é milagre: O desejo exige mais que hormônio

A queda da libido é um fenômeno real e multifatorial, influenciado por aspectos biológicos, emocionais e sociais. Embora a reposição de testosterona possa ser eficaz em casos de deficiência hormonal comprovada, seu uso indiscriminado, impulsionado por promessas rápidas e marketing agressivo, levanta alertas importantes. O debate ultrapassa a medicina e envolve interesses culturais e econômicos, reforçando a necessidade de cautela. Antes de recorrer ao hormônio, é essencial investigar causas profundas, avaliar riscos e compreender que desejo sexual não depende apenas de níveis hormonais, mas de saúde integral, qualidade dos relacionamentos e equilíbrio no estilo de vida.

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